Equipa operacional de Busca e Salvamento.

Encontrar uma pessoa desaparecida não é sorte ou fruto do acaso. Todo o trabalho assenta na base de um bom planeamento que permite colocar os meios correctos no local certo (de maior probabilidade), tornando a busca mais rápida e eficiente.

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Teoria 3 "IPP, LPS e LPK"




-IPP (Initial Point of Planning) - Ponto Inicial de Planeamento.


Existe um ponto crucial a partir do qual se fazem os cálculos de planeamento para uma busca. Para que o planeamento esteja correcto temos de partir de informação válida pois, como já vimos com relação ao perfil, é da validade da 1ª premissa que depende a exactidão dos cálculos seguintes. Assim, o IPP deverá ter 2 características essenciais: certeza e actualidade. Devemos pois ter a CERTEZA de que a pessoa esteve em determinado ponto e este deve ser o ÚLTIMO ponto na linha de tempo dos acontecimentos onde temos essa certeza.

-LPK (Last Point Known)- Último ponto em que é certo que a pessoa esteve. Nem sempre é o mais actual mas é o ponto de maior certeza
-LPS (Last Point Seen)- Último ponto onde a pessoa foi avistada. É o mais actual mas a informação pode ser incorrecta e induzir em erro o coordenador da busca.

Para que seja mais perceptível a importância da escolha do IPP, decidimos utilizar o exemplo na imagem de planeamento acima.
Se atribuirmos o IPP ao LPK ou ao 1º LPS, o círculo de alta probabilidade não é muito diferente. Mas, atribuindo o IPP ao 1º LPS conseguimos estabelecer uma direcção de viagem, reduzindo assim a área de probabilidade. O círculo de probabilidade deveria ser arrastado em direcção ao ponto de interesse (antiga casa da vítima) à medida que a busca se fosse desenvolvendo e o resultado seria a localização da vítima. Se atribuirmos o IPP ao 2º LPS, ao arrastar o círculo em direcção à casa antiga, vai resultar em perder a vítima. Também o racional de toda a busca fica alterado pois, acreditando no 2º LPS, a vítima que estaria a deslocar-se para a casa antiga nunca poderia estar "para trás" do 2º LPS, uma vez que o seu perfil (Alzheimer) "não o permite".
Vemos assim como é vital a veracidade da informação quando há relatos de avistamento da vítima. Esta informação deve ser sempre recolhida por um elemento experiente da equipa de busca. Na BARC elaborámos uma folha de questionário, que também deixamos à disposição para que possa ser utilizada e melhorada por outras equipas. Seria também bom que o elemento que interroga os possíveis avistadores tivesse formação em posturas corporais e em micro-expressões, para assim poder avaliar com maior grau de certeza a veracidade da informação.

Abraço
BARC
Jorge



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Teoria 2 "O Perfil"




Como vimos no post anterior, se eu, a partir de um determinado ponto, atirar uma agulha para um palheiro e depois a procurar com um detector de metais, ao fim de mil repetições fazendo um estudo estatístico de onde encontrei a agulha, é possível prever onde no palheiro é mais provável encontrar a 1001ª agulha que lançar.

Mas se não for só eu a lançar a agulha? Vamos supor que convidamos 1 jogador de basebol, uma criança de 4 anos e um idoso com 85 anos a lançar a agulha do mesmo ponto. Depois de fazermos o tal estudo sobre onde caíram as agulhas de cada um, verificaríamos que haveria diferenças quanto ao local mais provável de encontrar as agulhas de cada lançador com características diferentes. Assim, podemos concluir que as características pessoais do lançador determinam, por exemplo, a distância a que é mais provável encontrar a agulha a partir do ponto de lançamento.
Essas características pessoais são o perfil da pessoa, da mesma forma que determinadas características (perfil) do lançador fazem com que a agulha seja encontrada em locais distintos, também pessoas com diferentes perfis se perdem para locais diferentes. Assim, é natural que uma criança de 4 anos se perca para um local diferente de um desportista radical e este para um local diferente de um idoso com demência, etc.
Os perfis são então agrupamentos de características que ditam comportamentos diferentes quando as pessoas se perdem . Quando atribuímos a uma pessoa desaparecida um determinado perfil, estamos a assumir que tem as características desse grupo e também comportamentos semelhantes, logo também se perderá para o mesmo tipo de sítio.

Desta forma, podemos avaliar a importância da recolha de dados para estabelecer o perfil, pois trata-se da 1ª premissa do nosso problema de busca e é com esta informação que o coordenador da busca faz o plano inicial de busca. Acontece, por vezes, a vítima "mudar" de perfil durante a busca por terem sido adicionadas novas informações e tal facto pode fazer mudar a estratégia de busca (muitas vezes radicalmente).

O perfil da pessoa que procuramos pode dar-nos informação muito útil, como a distância provável ao ponto de partida, as características da área para onde se perde, quanto tempo temos para encontrar a vítima viva, etc.

Em baixo podemos ver quadros estatísticos agrupados por perfil (Koester).
Dá para observar diferenças, quer na distância provável ao PLS (Point Last Seen - ponto onde vítima foi vista a última vez), quer no tipo de local que estes perfis aqui representados "escolhem" para se perder.

Publicamos também a folha de "Questionário de Perfil" elaborada e utilizada pela BARC, para que possa ser usada e melhorada por outras equipas de busca e salvamento.







Teoria 1 " Estatística a magia de prever o futuro"





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Através do estudo de casos passados de um determinado fenómeno, conseguimos prever o desfecho desse mesmo fenómeno, no futuro, se em iguais condições.

No nosso dia-a-dia utilizamos essa mesma lógica, mesmo quando utilizamos o senso comum. Por exemplo: quando saímos de casa e o céu está nublado levamos o guarda chuva porque prevemos que vai chover. Isto, porque muitas vezes no passado quando o céu esteve nublado, choveu. Mas algumas vezes acontece não chover e levámos o guarda-chuva para nada. Se tivéssemos feito um estudo científico de todas as condições daquele dia, como fazem os meteorologistas, teríamos uma previsão mais precisa. Mas, para isso, é necessário agrupar as variáveis que podem influenciar o facto de chover ou não, recolher dados sobre um elevado número de dias possíveis e fazer um tratamento estatístico dos dados para poder fazer a previsão.


Do mesmo modo, aplicando a poderosa ferramenta, que é a estatístia, ao estudo dos casos passados de pessoas desaparecidas, conseguimos prever o comportamento provável dos que se irão perder, a área onde é mais provável encontrá-los e o desfecho provável do caso. Este é um método científico que, embora não seja totalmente infalível, é a forma mais séria de utilizar as probabilidades para prever o futuro. Quanto maior for o número de casos estudados, maior a precisão estatística e, como tal, maior a eficácia desta nossa máquina de prever o futuro.

A informação mais pertinente que esta máquina nos vai fornecer será (i) a distância percorrida pela pessoa desaparecida, tendo como referência o último ponto onde esteve, e (ii) quais as áreas tipo onde há maior probabilidade da pessoa ser encontrada.
Esta informação será utilizada pelo coordenador da busca, de forma a poder estabelecer prioridades e atribuir os meios que tem ao seu dispôr, para que a pessoa desaparecida possa ser encontrada o mais depressa possível.
Pretende-se pois procurar no local mais provável de encontrar, uma vez que as vítimas estão, na maior parte das vezes, fragilizadas e a busca é uma corrida contra o tempo.

Podemos encontrar a informação estatística em bases de dados para incidentes de pessoas desaparecidas. Como em Portugal não temos conhecimento de existirem estudos sobre esta matéria, a BARC utiliza a informação de 2 fontes: a "International Search & Rescue Database" (ISRID) - 50.000 casos recolhidos em vários países - e a base do "Center for Search Resarch" UK - cerca de 5.000. Embora as diferenças culturais de clima e topográficas sejam importantes, foram estas bases que estão disponíveis que nos pareceram mais adequadas à nossa realidade.

Links uteis:
- http://www.dbs-sar.com/ Robert Koester ISRID
- http://www.seachresarch.org.uk/ UK Missing Person Behavior Study (actualizado para 2011)

Teoria 0 (zero)



A BARC tem um acordo com Deus: Ele faz milagres e nós procuramos pessoas desaparecidas!

Decidimos iniciar uma série de posts com a teoria que utilizamos para procurar pessoas desaparecidas. Esta teoria não fomos nós que inventámos. Fomos procurar conhecimento a autores reconhecidos internacionalmente e a equipas de cães de busca em grandes áreas, que consideramos com qualidade pelos serviços já prestados (ficam links no fim deste post).
Encontrar uma pessoa desaparecida não é sorte ou fruto do acaso. É pôr em prática um enorme trabalho de recolha de estatísticas de casos passados, de planeamento, de treino dos cães e claro, fruto da dedicação dos voluntários que constituem a BARC.
Seguimos as metodologias que pensamos serem as mais avançadas, de forma a rentabilizar os meios ao nosso dispôr. Um bom planeamento da busca permite colocar os meios correctos no local certo (de maior probabilidade), tornando a busca mais rápida e eficiente, pois estamos a procurar pessoas ainda vivas e provavelmente fragilizadas.

Estes posts têm como objectivo dar a conhecer a nossa forma de "buscar" e também de treinar a todos os interessados, elementos da BARC, outras equipas de busca e público em geral, de forma a que todos tenhamos acesso a conceitos inerentes à metodologia que usamos e falemos a mesma linguagem.

Este será o post zero, com o título Teoria, e que será seguido de outros com conceitos e metodologia. Esperamos que surjam dúvidas, comentários e contributos para que todos possamos melhorar nesta actividade apaixonante da busca e salvamento com cães.

BARC
Jorge

Links interessantes:
- http://www.searchresearch.org.uk/
- http://www.sarworld.org/
- http://re-search.org.uk/
- http://www.dbs-sar.com/
- http://www.sarda.org.uk/
- lowland search dogs
- http://www.nasar.org/








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