Equipa operacional de Busca e Salvamento.

Encontrar uma pessoa desaparecida não é sorte ou fruto do acaso. Todo o trabalho assenta na base de um bom planeamento que permite colocar os meios correctos no local certo (de maior probabilidade), tornando a busca mais rápida e eficiente.

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Teste FASE I - 4.Dez.2011




As Provas de Fase pretendem avaliar se o Binómio Guia/Cão está preparado e com o treino consolidado para ambos passarem para a fase seguinte do programa de formação da BARC.

Na prova de FASE I:
Em condições gerais, a vítima está dentro de um quadrado com 40x40mts numa área tipo bosque. Após enviar o cão, o guia não lhe pode dar mais nenhuma indicação até este ter feito a marcação, podendo, no entanto, redireccionar o cão uma vez, se este sair da área de busca mas mantiver a conduta de busca.

O guia terá acesso prévio à área de busca para poder avaliar o vento e estabelecer a estratégia, mas o cão deve ficar em área de repouso até ao início do exercício.
Para se propor a um teste de fase, o binómio terá de já ter realizado em ambiente de treino pelo menos 3 exercícios em 4, em que tenha cumprido os mesmos critérios aplicados no teste ao qual se candidata. Assim, demonstram (guia e cão) ter consistência de treino suficiente para fazerem a prova com sucesso.
O guia tem também de demonstrar ter estabelecido com o cão as rotinas de activação para a busca, alguma obediência, algum controlo e direcionabilidade, saber ler e interpretar a sinalética do cão e ter estabelecido um sistema de recompensa. Deve também entender a teoria da propagação do odor transportado pelo vento e elaborar uma estratégia para a busca, escolhendo o melhor local para enviar o cão, de forma a que a busca seja o mais fácil possível.

Relativamente ao cão, este tem de demonstrar motivação, autonomia e "focus", mantendo a conduta de busca até encontrar a vítima. A marcação da vítima deve ser clara e independente do guia, devendo o cão manter a marcação até o guia chegar à vítima, podendo então ser recompensado.

As Provas de Fase permitem que o guia tenha consciência do progresso ao longo do treino e também que reconheça pontos menos bons que deverá treinar. Servem também de motivação para outros binómios e para todos os elementos da BARC, que de uma forma ou de outra ajudaram no treino dos binómios em teste. O sucesso destes binómios representa para nós uma vitória de toda a equipa!

Parabéns aos binómios Pipa/Guay e Cláudia/LB por passarem à Fase II e também a todos os BARCers!!!

Teoria 2 "O Perfil"




Como vimos no post anterior, se eu, a partir de um determinado ponto, atirar uma agulha para um palheiro e depois a procurar com um detector de metais, ao fim de mil repetições fazendo um estudo estatístico de onde encontrei a agulha, é possível prever onde no palheiro é mais provável encontrar a 1001ª agulha que lançar.

Mas se não for só eu a lançar a agulha? Vamos supor que convidamos 1 jogador de basebol, uma criança de 4 anos e um idoso com 85 anos a lançar a agulha do mesmo ponto. Depois de fazermos o tal estudo sobre onde caíram as agulhas de cada um, verificaríamos que haveria diferenças quanto ao local mais provável de encontrar as agulhas de cada lançador com características diferentes. Assim, podemos concluir que as características pessoais do lançador determinam, por exemplo, a distância a que é mais provável encontrar a agulha a partir do ponto de lançamento.
Essas características pessoais são o perfil da pessoa, da mesma forma que determinadas características (perfil) do lançador fazem com que a agulha seja encontrada em locais distintos, também pessoas com diferentes perfis se perdem para locais diferentes. Assim, é natural que uma criança de 4 anos se perca para um local diferente de um desportista radical e este para um local diferente de um idoso com demência, etc.
Os perfis são então agrupamentos de características que ditam comportamentos diferentes quando as pessoas se perdem . Quando atribuímos a uma pessoa desaparecida um determinado perfil, estamos a assumir que tem as características desse grupo e também comportamentos semelhantes, logo também se perderá para o mesmo tipo de sítio.

Desta forma, podemos avaliar a importância da recolha de dados para estabelecer o perfil, pois trata-se da 1ª premissa do nosso problema de busca e é com esta informação que o coordenador da busca faz o plano inicial de busca. Acontece, por vezes, a vítima "mudar" de perfil durante a busca por terem sido adicionadas novas informações e tal facto pode fazer mudar a estratégia de busca (muitas vezes radicalmente).

O perfil da pessoa que procuramos pode dar-nos informação muito útil, como a distância provável ao ponto de partida, as características da área para onde se perde, quanto tempo temos para encontrar a vítima viva, etc.

Em baixo podemos ver quadros estatísticos agrupados por perfil (Koester).
Dá para observar diferenças, quer na distância provável ao PLS (Point Last Seen - ponto onde vítima foi vista a última vez), quer no tipo de local que estes perfis aqui representados "escolhem" para se perder.

Publicamos também a folha de "Questionário de Perfil" elaborada e utilizada pela BARC, para que possa ser usada e melhorada por outras equipas de busca e salvamento.